Silêncio mais fundo que o silêncio da noite, silêncio que fere a faca, a ferro, a foice, ferida profunda, silêncio que afunda por nervos adentro, adentro corpo, adentra a alma, silêncio oposto da calma, silêncio que dura eternidades, que viaja cidades, silêncio que invade, que traz febre, que traz cura, provoca a fúria e mexe por dentro, por fora, silêncio que aflora algo nunca vivido outrora.
Silêncio agressivo, em mão punhal de ladrão, foice em mão do ceifador, agressividade antônimo de dor, chama submetida, silêncio dos que consentem, dos que sentem, silêncio e isso basta, silêncio que transborda, que invade com sua horda de algo mais que só silêncio, silêncio dos inocentes, dos acidentes, incidentes, silêncio que esbanja os dentes e ocupa os carentes, silêncio dos solitários, solidários que tem pra dar seu silêncio repleto de afeto, silêncio, chuva, trovão, silêncio, latido e algo cai ao chão, mas permanece o silêncio que muito mais fala que a boca que cala.
Silêncio castanho de teus olhos, silêncio estranho que nem dez molhos de chaves interrompe, nem rompe, nem esconde, silêncio que expõe, que diz, compõe, silêncio, silêncio das estrelas pintadas em manto negro manchado, azulado, silêncio da lua refletindo melodia em forma de luz, silêncio que traduz toda forma de falar aquilo que não se sabe dizer, que não se sabe fazer, que não se sabe, silêncio que dura, perdura, pendura a ponta da boca erguida a bochecha, silêncio e esqueça, pois agora é só silêncio, só sinta, não minta, nem fale, silêncio, não diga nem a verdade, apenas silencie e associe o sentido do silêncio, o sentido e o sentimento.
Silêncio, não é sala de cirurgia nem tampouco de reunião, mas silêncio, não é homenagem aos mortos nem por medo ladrão, mas silêncio, não é a moral do chefe nem respeito ao mestre, mas ainda assim silêncio por outras razões sem razões aparentes, silêncio frequente, silêncio não mente, quem cala consente, consente com o silêncio alheio e se o silêncio não veio o prazer o quebrou e depois do prazer o silêncio voltou. Silêncio...
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
terça-feira, 27 de agosto de 2013
VII
Há sete meses sete pecados capitais me atormentam sente anjos me saudaram, sete trombetas ressoaram.
Há sete meses sete heróis salvaram às sete maravilhas do mundo de sete pragas.
Há sete meses sete homens fizeram sucumbir setenta.
Há sete meses sete algozes, sete demônios, sete mortes.
Há sete meses sete paladinos, sete deuses, sete vidas.
Há sete meses as sete cores do arco-íris ganharam sete brilhos.
Há sete meses sete bilhões não fizeram diferença.
Há sete meses renasci sete vezes.
Há sete meses. Há um destino.
Há sete meses sete heróis salvaram às sete maravilhas do mundo de sete pragas.
Há sete meses sete homens fizeram sucumbir setenta.
Há sete meses sete algozes, sete demônios, sete mortes.
Há sete meses sete paladinos, sete deuses, sete vidas.
Há sete meses as sete cores do arco-íris ganharam sete brilhos.
Há sete meses sete bilhões não fizeram diferença.
Há sete meses renasci sete vezes.
Há sete meses. Há um destino.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Imortal, imortal.
Tenho orgulho da minha terra
Que não só terra, aqui tem água
Que na pobreza a mesa é farta
Que não só seca, aqui tem mata
Um orgulho dos coqueiros olindenses
Dos sertões com seus repentes
Do oxente do matuto
Do solo de Pernambuco
Tenho um orgulho danado dos artistas conterrâneos
Do poeta contemporâneo
Lenine e seu violão
Chico Sciense e sua nação
Tenho orgulho da rima
Orgulho da viola
Do sorriso em alto-estima
Do tareco e mariola
O calor do sol
Bronzeando o litoral
Um copo de skol
E todos em alto-astral
Um orgulho do carnaval
Das pontes, da história
De tua obra artesanal
Do teu passado de glória
De ser Leão-do-Norte
Da terra de Virgulino
De reconhecer teu porte
E saber de cor teu hino.
(BARBOSA, Victor)
Que não só terra, aqui tem água
Que na pobreza a mesa é farta
Que não só seca, aqui tem mata
Um orgulho dos coqueiros olindenses
Dos sertões com seus repentes
Do oxente do matuto
Do solo de Pernambuco
Tenho um orgulho danado dos artistas conterrâneos
Do poeta contemporâneo
Lenine e seu violão
Chico Sciense e sua nação
Tenho orgulho da rima
Orgulho da viola
Do sorriso em alto-estima
Do tareco e mariola
O calor do sol
Bronzeando o litoral
Um copo de skol
E todos em alto-astral
Um orgulho do carnaval
Das pontes, da história
De tua obra artesanal
Do teu passado de glória
De ser Leão-do-Norte
Da terra de Virgulino
De reconhecer teu porte
E saber de cor teu hino.
(BARBOSA, Victor)
quinta-feira, 25 de julho de 2013
A Rosa de Garanhuns
Da cidade das flores
Brotou a rosa mais bela
A mais clara das cores
Pintas de cravo e canela
Do interior de Pernambuco
Veio fazendo vuco-vuco
Até chegar à ‘capitá’
Desfilou com sua beleza
Digna de realeza
Até me fez apaixonar
Da cidade mais fria
Nasceu a rosa mais quente
Sua pele fervia
Sua alegria é freqüente
Veio lá de Garanhuns
Onde flores comuns
Passaram a te invejar
Esvoaçando com o vento
Num inverno violento
Veio aqui pra eu te cheirar
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Santa Luzia.
Sinto tua ausência
Como um verdadeiro dependente
Com as dores da abstinência
Em tratamento contra
vontade do paciente
Sinto tua falta
Sinto tua valsa
Uma melodia que meche comigo
Que acaba comigo
Como se todas as notas soassem
Todos os sons na mesma harmonia
E como tais notas tocassem
Todas as noites, todos os dias
Sinto tua distância
Ainda que perto em pensamento
Sinto tua fragrância
Em minha cama, sonolento
Ver-te na estação
Ainda que dentro do vagão
Parte o coração que fugia
Ao deixar-te sorrindo na estação Santa Luzia.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
V
Vestir-te-ei sem vestes e sem deixar vestígios, cobrindo tua
virilha com couro e veludo.
Vestir-te-ei em véu e me assumo réu, condenado à vida viver
por ti.
Vestir-te-ei em véu, véu que fará a via de volta a casa ser
a via de volta ao afago ansiado.
Não me vista de vingança, nem de buscas vãs, mas
vestir-me-ei, se assim permitir, do teu doce veneno e teu forte gênio de
escorpião.
Voar irei à taça de vinho e no salgadinho visto na mesa
posta e um visto de aprovação do paladar e da visão do teu pouco vestuário.
E se o estômago não está mais vazio me faço vestiário teu
sem roupa pra trocar, despir-te-ei, despejar-te-ei um vômito de ágape.
E se a alma não está mais vazia me faço volúvel, veloz,
viril e volto voando a cama e você nem chama pra que eu acenda a chama que nem
a casa de Brahma me traz a serenidade que me vem quando estou com você.
terça-feira, 14 de maio de 2013
A lua e a chuva
Emana luz branca em meio à noite escura, exuberante, a lua, se estende à altura, a altura de uma baixa estatura e uma beleza que não se contém em tal corpo celeste, nenhum outro cenário me traz tal esplendor, o mar, o rio ou as rosas campestres, nem a mata, nem o pico, nem pica-flor, apenas a lua, encravada um dragão, que em sua dimensão faz tocar melodia em meio o silêncio noturno, no deserto propício ao gatuno, apenas a lua trás conforto, e me faz atracar como um porto, um verdadeiro porto seguro no qual me seguro forte sem largar e me perco quando imponho a ela meu olhar.
Se há um cupido este é a lua, a lua dos apaixonados que como se tivesse optado trazer aos outros companhia antes de lembrar de si, em sua pobre solidão, muitos namoram a lua, mas quantos o fazem sãos? Sãos o suficiente ao ponto de não deixa-la no próximo encontro, no próximo ponto e fazer disso desaponto.
A lua e seu poder de influenciar o mundo e até os mais céticos acreditam no fundo, a velha lua é lua nova, é a lua que faz a desova, a lua é crescente de uma beleza ascendente e quando mais bela a lua é cheia e quantas pessoas vão à praia e sentam na areia, dá brilho ao ruivo e faz soar o uivo e quando minguante a lua sorri, sorri pra si mesma conformada em solidão, mas ainda assim eu olhava pra lua, ou quando sem nuvens, completamente nua e ainda sem luar eu saía a sua procura e ao olhar pra mim o céu mandou a chuva selando o nosso amor, e confundindo-se com os pingos da chuva meu olho chora, muitos namoram a lua, mas só um a lua namora.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Amor é...
Amor é ter sorrisos bobos arrancados por momentos de outrora, amar é ter sorrisos bobos arrancados por momentos que ainda estão por vir, amor é se reconhecer no olhar do outro antes mesmo de saber que era amor, amar é se encantar por um sorriso e arrancar uma gargalhada por saber que você usa barba, o que já garante sua companhia até, ao menos, ver as precipitações capilares surgirem em face, amor é ver lágrimas mornas cair dos olhos e morrer no canto puxado da boca que sorri por uma simples pergunta: “Eu já disse que te amo hoje?”. Amar é se banhar no sangue do outro e deixar tal sangue escorrer pelo corpo e borrar o relógio pra não precisar ver o tempo passar, amor é fazer cócegas, é ver filme, enxugar lágrimas, é lamentar a ausência em cada tarde chuvosa, mas com o presságio de tais dias, amar é ter três meses, parecer ter três dias e ao mesmo tempo parecer ter três anos, afinal o relógio está melado de sangue de dores passadas e de que vale o tempo? Amar é parecer tudo, menos o que é, e não precisa ser. Amar é pura intensidade, é sonhar com a pessoa amada e ter a quem contar os pesadelos, sonhos e segredos mais íntimos, sim, os mais íntimos, pois amar é ser amigo, companheiro, é compartilhar dores e alegrias, é estar à vontade, amor é poder tocar violão, gaita, cantar e ter olhos paralisados e admirados por seus gestos, por seu jeito, amar é poder lutar e depois ser chamado de sexy, amor é viver os filhos antes da gestação, é ver a casa de tijolos ainda não levantados, é ter um anti-depressivo, um estimulante de apetite, amar é música, cinema, teatro, amor, é arte, é ter a beleza por trás dos mais singelos gestos, a porta aberta, um berro, amor é um lobo em pele de cabra, tamanha ferocidade que nos consome de dentro pra fora e se mostra em gestos simples e mansos, amor é a saudade que se inicia no momento do adeus, a felicidade que se inicia só de lembrar que o dia da presença está próximo, amar é se sentir leve, é levitar, é levar consigo o coração do outro e não fazer refém, nem chantagem, fazer isso por cuidado, é estar inspirado e deixar o outro envergonhado, amuado, encabulado e vice-versa, amar é continuar sentindo os sintomas da paixão, mesmo quando o tempo da paixão já se foi...
Talvez antes amor não tenha sido nada disso, antes disso talvez nada tenha sido amor.
terça-feira, 16 de abril de 2013
Consentimento, com sentimento.
Nós e essa mania de tentar provar
Que dois corpos podem ocupar o mesmo lugar
No espaço, em um espaço só nosso
Num espaço infinito de tempo
Desprezando o ócio e nada fazendo
Nós e nossa maneira de quebrar as leis da física
Em atividades biológicas que abusam de química
Nada existe, nem gravidade, nem estatística
Nem ênclises, próclises, só a íntima
Interpretada de provocações cínicas
Nosso português bem rebuscado
Torna-se onomatopéias de prazer
No nosso silêncio é bem interpretado
E nos diz exatamente o que fazer
E nesse português bem falado
‘Te amo’ é o que falo de errado
Hitler, Dom Pedro, Napoleão
Cleópatra, Aquiles, Roma e sua nação
Se acha realmente que eles fizeram história
Veja bem a que eu vou começar agora
Não como as de Monteiro Lobato
Minha história é contigo ao meu lado
Descobri que um mais um pode ser um
Desde que você compartilhou um único mundo comigo
Minha vida tem somado, não sei mais o que é ter subtraído
Minha felicidade tem crescido numa progressão aritmética
E o tamanho do meu sorriso já não cabe em fita métrica
Nossa literatura esbanjando sentimento
Não tem hora, nem lugar, se faz a qualquer momento
A cultura se mostra na arte de nos deixar vermelhos
E são teus olhos que eu vejo ao me olhar no espelho
Nosso olhar faz calar a poesia que se faz pelo falar
Cometas, asteróides e órbitas
O espaço extenso que se expande mundo a fora
Em meio tantos lugares, era lá que estávamos na mesma hora
E me impressiono com o que já não era de se admirar
Quando a lua se confundiu com teu olhar.
domingo, 10 de março de 2013
Geni.
Oi, meu nome é Genivaldo e não tenho muito o que falar sobre mim, minha vida é bem resumida, tenho dezessete anos, estudo o terceiro ano do ensino médio e vou fazer vestibular para psicologia, meu pai é militar e diz que psicologia é curso de viado, acho que qualquer curso pra ele seria de homossexual, pra ele homem tem que ser "caveira" e seguir o serviço militar, minha mãe me dá apoio na minha escolha, graças a Deus alguém por mim nessa casa, ainda tenho também uma irmã, a Maria e ela tem apenas sete anos, nas tensões da discórdia diária devido ao inflexível ego paterno Maria é quem traz paz a casa, moro num morro do Rio de Janeiro e toda essa monotonia da minha vida mudou depois que conheci o Jorge. Jorge era um cara legal, estudava na mesma sala que eu, tinha se mudado recentemente e logo fez amizade comigo, um dia fui a casa dele fazer um trabalho do colégio, ao chegar perguntei por seus pais e ele logo respondeu que estava só em casa, seus pais trabalhavam o dia inteiro, foi estranho, ele me levou a seu quarto e se retirou, eu fiquei um tanto desconfortável em casa alheia a sós comigo mesmo, depois de um tempo ouço a maçaneta da porta e antes que pudesse olhar fui logo soltando minhas mil e uma ideias sobre o trabalho até ser interrompido pela voz de Jorge que falou apenas meu nome, ao olhar vi Jorge totalmente despido, não consegui esbanjar reação, ele veio até a mim, cada passo parecia uma eternidade, foi estranho sentir tudo aquilo, frio no estômago, não sentia sangue em meus lábios, estava completamente nervoso, também pudera, na minha idade só havia beijado duas garotas e aquilo era completamente novo para mim, Jorge chegou, me tocou com força e me beijou, eu não exitei, foi eufórico a forma como tudo aconteceu, logo eu estava sem roupas também e senti corpo, mente e alma penetrar em mim quebrando qualquer lei física.
Jorge era um cara ótimo, me fazia sentir amado como jamais havia sentido, porém fazia isso com metade do colégio, homens, mulheres, crianças, qualquer um que se colocasse a mercê de todo seu ar galanteador, logo dei um basta com Jorge, ser só mais um me ofendia, mas não me incomodava o fato de ter gostado de outro homem, então enquanto outro não me cativasse como o Jorge e fosse somente meu decidi ficar sozinho e evitar maiores problemas com meu pai. Já tinha tudo programado em minha mente, estudaria, me formaria, nesse meio tempo estaria, com certeza estaria, com alguém certo que eu quisesse ficar, se o tempo de me formar fortalecesse os laços com tal pessoa seria o tempo ideal para assumir minha homossexualidade pouco me importando com uma possível não aceitação do meu pai já que não mais dele dependeria. Acontece que o destino me deu uma rasteira e más notícias, digamos assim, andam voando como os zepelins, não como aviões, falarei mais tarde do zepelim. Não sei através de quem, até onde eu tinha conhecimento apenas quem sabia da minha relação com o Jorge eramos nós dois, mas ao chegar em casa fui recepcionado com um tapa na cara, fiquei sem entender e logo meu pai me expulsa de casa dizendo que não aceita filho homossexual não me dando oportunidade nem de responder em minha defesa. Logo fui a casa de Jorge, mas não havia ninguém lá, nem no dia seguinte, nem no outro...
Não tinha mais onde ficar, meu pai também proibiu minha mãe e irmãos de manter qualquer tipo de contato comigo, morei na rua, minha mãe ainda se arriscava a trazer alimentos pra mim nos dias de serviço do meu pai... Mas eu não podia depender mais de caridade alheia, só havia uma coisa a se fazer... E foi o que fiz. Jorge pra mim já era pouco, Jorge, Lucas, Mateus, Mario, Guilherme, Zé, Alzira, detentos, loucas, lazarentos moleques do internato, velhinhos sem saúde e viúvas sem porvir, foram tantos outros, descobri que podia ganhar dinheiro por amar e logo consegui alugar um kit-net e manter uma vida não luxuosa, porém melhor que estar na rua, até o João me dizer que eu poderia ganhar muito mais se deixasse de ser homem, aquilo ficou na minha cabeça e porque não? O próprio João financiou tudo em troca de quarenta porcento dos meus lucros e a partir daquele dia eu era Geni e por isso me jogavam pedras em forma de palavras em cada esquina que eu passava, mas nada me atingia, eu estava nesse mundo da forma que sempre desejei ter vindo a ele.
João, cafetão, traficante e comandante daquele morro, pensei que minha vida ia melhorar, mas ele não faz nada sem tirar proveito próprio nem que pra isso tenha que passar por cima dos outros, o que era quarenta porcento virou sessenta e já estava em oitenta e cinco, minha vida era quase em cativeiro privado em seu estabelecimento que oferecia prazeres banais aos outros... Isso mudou no dia que chegou o zepelim, um possante sem placa, preto fosco, esse sim voava, mais até que as más notícias, desse possante saíram cinco homens, um deles comandava os demais, entrou arrombando a porta do cabaré, e sem perguntar nada atirou na cabeça de João, as outras putas do cabaré gritavam diante de tal cena, mas sua voz forte como um trovão fez todas se calarem, ele disse que estava disposto a dar a todos ali o mesmo destino de João, mas que tudo aquilo poderia mudar se eu fosse a sua dama, Léo, como era conhecido, tomou o tráfico e a prostituição daquele morro sobre seu comando, assim como tomou meu coração, as quatro pedras na mão que eu ouvia a cada esquina já se calavam por temer o Léo, comecei a ser respeitada e foram tantos pedidos recusados para que eu partisse com ele.
E assim foram cinco longos anos em paz e quem dera se fosse assim pra sempre, parece que a missão do destino é me pregar peças e depois de uma noite alucinante acordamos com gritaria nas ruas, Léo pega sua pistola embaixo do travesseiro e me manda ficar dentro de casa, ele sai e dentro de alguns minutos volta, me dá um beijo e diz que o morro está sendo invadido por uma operação de ocupação policial, ele me beija e parte com a promessa de voltar, ouço o ronco do motor do zepelim soando como um adeus.
Deito de lado e em meio a lágrimas tento até sorrir achando graça do meu próprio destino que tanto me derrubou, até perceber que havia alguém ali em meu quarto, levanto na esperança de ver novamente Léo e tenho minha expectativa quebrada com a surpresa da presença do meu pai que me lança um olhar odioso, ele diz que minha mãe e minha irmã saíram de casa pela manhã para comprar pão e foram mortas na troca de tiros dos policiais com os traficantes, pensei por um momento que aquele poderia ser um momento de reconciliação, até ele completar que se eu tivesse escutado o que tantos pediram e tivesse partido com Léo aquilo não tivesse acontecido, ele levanta sua mão que expõe uma pedra só agora então vista e arremessa contra mim... Ela me atingi certeira no meio da testa, me fazendo cair, minha visão turva ainda vê meu pai de costas se retirando, ao longe posso ouvir tiros, por fim fecho os olhos e a ultima coisa que vejo é Léo em seu zepelim, o único homem que teve força pra me promover a liberdade.
(Inspirado na música Geni e o Zepelim de Chico Buarque)
Jorge era um cara ótimo, me fazia sentir amado como jamais havia sentido, porém fazia isso com metade do colégio, homens, mulheres, crianças, qualquer um que se colocasse a mercê de todo seu ar galanteador, logo dei um basta com Jorge, ser só mais um me ofendia, mas não me incomodava o fato de ter gostado de outro homem, então enquanto outro não me cativasse como o Jorge e fosse somente meu decidi ficar sozinho e evitar maiores problemas com meu pai. Já tinha tudo programado em minha mente, estudaria, me formaria, nesse meio tempo estaria, com certeza estaria, com alguém certo que eu quisesse ficar, se o tempo de me formar fortalecesse os laços com tal pessoa seria o tempo ideal para assumir minha homossexualidade pouco me importando com uma possível não aceitação do meu pai já que não mais dele dependeria. Acontece que o destino me deu uma rasteira e más notícias, digamos assim, andam voando como os zepelins, não como aviões, falarei mais tarde do zepelim. Não sei através de quem, até onde eu tinha conhecimento apenas quem sabia da minha relação com o Jorge eramos nós dois, mas ao chegar em casa fui recepcionado com um tapa na cara, fiquei sem entender e logo meu pai me expulsa de casa dizendo que não aceita filho homossexual não me dando oportunidade nem de responder em minha defesa. Logo fui a casa de Jorge, mas não havia ninguém lá, nem no dia seguinte, nem no outro...
Não tinha mais onde ficar, meu pai também proibiu minha mãe e irmãos de manter qualquer tipo de contato comigo, morei na rua, minha mãe ainda se arriscava a trazer alimentos pra mim nos dias de serviço do meu pai... Mas eu não podia depender mais de caridade alheia, só havia uma coisa a se fazer... E foi o que fiz. Jorge pra mim já era pouco, Jorge, Lucas, Mateus, Mario, Guilherme, Zé, Alzira, detentos, loucas, lazarentos moleques do internato, velhinhos sem saúde e viúvas sem porvir, foram tantos outros, descobri que podia ganhar dinheiro por amar e logo consegui alugar um kit-net e manter uma vida não luxuosa, porém melhor que estar na rua, até o João me dizer que eu poderia ganhar muito mais se deixasse de ser homem, aquilo ficou na minha cabeça e porque não? O próprio João financiou tudo em troca de quarenta porcento dos meus lucros e a partir daquele dia eu era Geni e por isso me jogavam pedras em forma de palavras em cada esquina que eu passava, mas nada me atingia, eu estava nesse mundo da forma que sempre desejei ter vindo a ele.
João, cafetão, traficante e comandante daquele morro, pensei que minha vida ia melhorar, mas ele não faz nada sem tirar proveito próprio nem que pra isso tenha que passar por cima dos outros, o que era quarenta porcento virou sessenta e já estava em oitenta e cinco, minha vida era quase em cativeiro privado em seu estabelecimento que oferecia prazeres banais aos outros... Isso mudou no dia que chegou o zepelim, um possante sem placa, preto fosco, esse sim voava, mais até que as más notícias, desse possante saíram cinco homens, um deles comandava os demais, entrou arrombando a porta do cabaré, e sem perguntar nada atirou na cabeça de João, as outras putas do cabaré gritavam diante de tal cena, mas sua voz forte como um trovão fez todas se calarem, ele disse que estava disposto a dar a todos ali o mesmo destino de João, mas que tudo aquilo poderia mudar se eu fosse a sua dama, Léo, como era conhecido, tomou o tráfico e a prostituição daquele morro sobre seu comando, assim como tomou meu coração, as quatro pedras na mão que eu ouvia a cada esquina já se calavam por temer o Léo, comecei a ser respeitada e foram tantos pedidos recusados para que eu partisse com ele.
E assim foram cinco longos anos em paz e quem dera se fosse assim pra sempre, parece que a missão do destino é me pregar peças e depois de uma noite alucinante acordamos com gritaria nas ruas, Léo pega sua pistola embaixo do travesseiro e me manda ficar dentro de casa, ele sai e dentro de alguns minutos volta, me dá um beijo e diz que o morro está sendo invadido por uma operação de ocupação policial, ele me beija e parte com a promessa de voltar, ouço o ronco do motor do zepelim soando como um adeus.
Deito de lado e em meio a lágrimas tento até sorrir achando graça do meu próprio destino que tanto me derrubou, até perceber que havia alguém ali em meu quarto, levanto na esperança de ver novamente Léo e tenho minha expectativa quebrada com a surpresa da presença do meu pai que me lança um olhar odioso, ele diz que minha mãe e minha irmã saíram de casa pela manhã para comprar pão e foram mortas na troca de tiros dos policiais com os traficantes, pensei por um momento que aquele poderia ser um momento de reconciliação, até ele completar que se eu tivesse escutado o que tantos pediram e tivesse partido com Léo aquilo não tivesse acontecido, ele levanta sua mão que expõe uma pedra só agora então vista e arremessa contra mim... Ela me atingi certeira no meio da testa, me fazendo cair, minha visão turva ainda vê meu pai de costas se retirando, ao longe posso ouvir tiros, por fim fecho os olhos e a ultima coisa que vejo é Léo em seu zepelim, o único homem que teve força pra me promover a liberdade.
(Inspirado na música Geni e o Zepelim de Chico Buarque)
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
A lua em teu olhar.
Uma em meio a sete bilhões
E pude reconhecer pelo olhar
Mesmo sem nunca tê-la visto antes
Soube que era você ao te encontrar
Parecia que nos conhecíamos a 3 anos
Parecia que a 3 anos não nos víamos frente a frente
Tínhamos apenas 3 horas de conversa
E uma eternidade inteira pela frente
Agora é tarde e precisamos ir
Mas algo me prende e não me deixa partir
Boa noite é tudo o que nos resta
E soando na mente a melodia que ouvi
Me deixa te pintar e não larga do meu abraço
Me beija como louca e segue meu passo
Meu compasso, meu traço, meu acaso ou algo mais
Eu namoro a lua, mas hoje ela tem que me perdoar
Pois prefiro vê-la refletida em seu olhar.
E pude reconhecer pelo olhar
Mesmo sem nunca tê-la visto antes
Soube que era você ao te encontrar
Parecia que nos conhecíamos a 3 anos
Parecia que a 3 anos não nos víamos frente a frente
Tínhamos apenas 3 horas de conversa
E uma eternidade inteira pela frente
Agora é tarde e precisamos ir
Mas algo me prende e não me deixa partir
Boa noite é tudo o que nos resta
E soando na mente a melodia que ouvi
Me deixa te pintar e não larga do meu abraço
Me beija como louca e segue meu passo
Meu compasso, meu traço, meu acaso ou algo mais
Eu namoro a lua, mas hoje ela tem que me perdoar
Pois prefiro vê-la refletida em seu olhar.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Apenas.
Apenas sou mais uma
Mas não apenas uma a mais
Quem de fato sou em suma
Eu já nem me lembro mais
Tudo que deixo jogado no meu quarto
Discos, ursos, posters, retratos
Tudo que me pertence fala um pouco de mim
Apenas um pouco do que me compõe
Posso dizer que eu sou assim
Mas é pouco pra falar do universo que me expõe
Apenas há pena no que vejo de errado
Apenas há cena no que me deixa admirado
Há pena em não poder mudar o mundo
Apenas me sinto feliz no fundo
No fundo que nada, apenas serei mesmo feliz
Ainda que ontem tenha me feito chorar
Não vou seguir minha vida assim sem diretriz
Apenas seguirei em frente pra novas razões encontrar
Apenas sou uma garota, apenas
Que sonha com um príncipe e travesseiro de penas
Apenas uma geminiana que vive suas próprias cenas
Apenas sinto, apenas vivo e apenas...
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Começou o carnaval
Arrasto minha sandália de couro
Sobre pontes vivas
Pontes coloridas
Pontes retorcidas
Pontes escolhidas pela minha nação
Vou à cidade de mauricéia
Encontrar a Maurícia
Encontrar a Patrícia
O João e a Maria
E quem mais havia nessa multidão.
Pois começou o carnaval.
Olinda subo e desço ladeira
Mercado da ribeira
Herói, passista e freira
A luz é uma clareira
Quando a noite chega pra aquele farol
E no galo da madrugada
Galera animada
Cerveja bem gelada
Aquela paquerada
Nada os abalava, nem mesmo o sol.
Pois começou o carnaval.
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