quinta-feira, 25 de abril de 2013

Amor é...


Amor é ter sorrisos bobos arrancados por momentos de outrora, amar é ter sorrisos bobos arrancados por momentos que ainda estão por vir, amor é se reconhecer no olhar do outro antes mesmo de saber que era amor, amar é se encantar por um sorriso e arrancar uma gargalhada por saber que você usa barba, o que já garante sua companhia até, ao menos, ver as precipitações capilares surgirem em face, amor é ver lágrimas mornas cair dos olhos e morrer no canto puxado da boca que sorri por uma simples pergunta: “Eu já disse que te amo hoje?”. Amar é se banhar no sangue do outro e deixar tal sangue escorrer pelo corpo e borrar o relógio pra não precisar ver o tempo passar, amor é fazer cócegas, é ver filme, enxugar lágrimas, é lamentar a ausência em cada tarde chuvosa, mas com o presságio de tais dias, amar é ter três meses, parecer ter três dias e ao mesmo tempo parecer ter três anos, afinal o relógio está melado de sangue de dores passadas e de que vale o tempo? Amar é parecer tudo, menos o que é, e não precisa ser. Amar é pura intensidade, é sonhar com a pessoa amada e ter a quem contar os pesadelos, sonhos e segredos mais íntimos, sim, os mais íntimos, pois amar é ser amigo, companheiro, é compartilhar dores e alegrias, é estar à vontade, amor é poder tocar violão, gaita, cantar e ter olhos paralisados e admirados por seus gestos, por seu jeito, amar é poder lutar e depois ser chamado de sexy, amor é viver os filhos antes da gestação, é ver a casa de tijolos ainda não levantados, é ter um anti-depressivo, um estimulante de apetite, amar é música, cinema, teatro, amor, é arte, é ter a beleza por trás dos mais singelos gestos, a porta aberta, um berro, amor é um lobo em pele de cabra, tamanha ferocidade que nos consome de dentro pra fora e se mostra em gestos simples e mansos, amor é a saudade que se inicia no momento do adeus, a felicidade que se inicia só de lembrar que o dia da presença está próximo, amar é se sentir leve, é levitar, é levar consigo o coração do outro e não fazer refém, nem chantagem, fazer isso por cuidado,  é estar inspirado e deixar o outro envergonhado, amuado, encabulado e vice-versa, amar é continuar sentindo os sintomas da paixão, mesmo quando o tempo da paixão já se foi...
Talvez antes amor não tenha sido nada disso, antes disso talvez nada tenha sido amor.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Consentimento, com sentimento.


Nós e essa mania de tentar provar
Que dois corpos podem ocupar o mesmo lugar
No espaço, em um espaço só nosso
Num espaço infinito de tempo
Desprezando o ócio e nada fazendo

Nós e nossa maneira de quebrar as leis da física
Em atividades biológicas que abusam de química
Nada existe, nem gravidade, nem estatística
Nem ênclises, próclises, só a íntima
Interpretada de provocações cínicas

Nosso português bem rebuscado
Torna-se onomatopéias de prazer
No nosso silêncio é bem interpretado
E nos diz exatamente o que fazer
E nesse português bem falado
‘Te amo’ é o que falo de errado

Hitler, Dom Pedro, Napoleão
Cleópatra, Aquiles, Roma e sua nação
Se acha realmente que eles fizeram história
Veja bem a que eu vou começar agora
Não como as de Monteiro Lobato
Minha história é contigo ao meu lado

Descobri que um mais um pode ser um
Desde que você compartilhou um único mundo comigo
Minha vida tem somado, não sei mais o que é ter subtraído
Minha felicidade tem crescido numa progressão aritmética
E o tamanho do meu sorriso já não cabe em fita métrica

Nossa literatura esbanjando sentimento
Não tem hora, nem lugar, se faz a qualquer momento
A cultura se mostra na arte de nos deixar vermelhos
E são teus olhos que eu vejo ao me olhar no espelho
Nosso olhar faz calar a poesia que se faz pelo falar

Cometas, asteróides e órbitas
O espaço extenso que se expande mundo a fora
Em meio tantos lugares, era lá que estávamos na mesma hora
E me impressiono com o que já não era de se admirar
Quando a lua se confundiu com teu olhar.