quinta-feira, 31 de julho de 2014

Versos pra ti

Meu hábito é a libido crônica por ti
Meu álibi é o súbito perante o íngreme em si
Careço de sotaque saxônico
Pereço em destaque sinfônico
Em meio à afabilidade eu imerso
Troco passos contra o tempo espesso
Enquanto o inverso me faz refletir
Alinho novos versos pra ti.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Se joga no vazio.

Se joga no vazio e segue a correnteza da incerteza, cai na teia, faz o que der na telha, faz o que der na veia, faz o que tiver de fazer.
Se joga no vazio, no vácuo, no nada, e nada, mas não morre na praia, segue a raia, segue o rumo, segue o prumo.
Se joga no vazio e foda-se consequência, coerência, negligencia, inteligência, as vezes vale mais um pouco de demência.
Se joga no vazio e a partir de então o vazio se preenche de você e você se preenche de vazio, seja quente ou seja frio.
Se joga no vazio, no vaso, no ralo, no carro, no amarro, se joga onde for, no chão, na mão, no tapete, no foguete.
Se jogar no vazio é nada mais que nada, é nada mais que tudo, é nada mais que o mundo, é nada mais que o quarto, é nada mais que o homem, é nada mais que ser, é nada mais que ter.
Se jogar no vazio é se debruçar sob um violão, é entrar num avião, é deslizar no palco sob as pontas dos pés, é subir a bombordo ou ao convés, é derreter-se em outro beiço, é perder o eixo.

Se jogar no vazio é exatamente aquilo que você quiser que seja, seja lá o que for, seja lá o que quer que seja, seja lá quem for, seja lá quem quer que seja você, se joga no vazio!