Depois da pena a tristeza... Pela ultima vez a tristeza,
porém desta vez a tristeza não é pela falta de quem você foi, mas pela ausência
de quem você sempre deixou de ser. Você esgotou suas piadas e suas promessas
não me encheram a barriga e logo deixou de encher-me os olhos. Esse final de
semana eu via um filme de guerra... Pensei que você teria gostado desse filme,
pensei em todos os filmes que não vimos juntos, pensei nas tardes que não
saímos pra pescar ou jogar bola, pensei em como sempre me corto fazendo a barba
por não ter aprendido como se faz isso se não pela TV, pensei em como você
não me convenceu a gostar do seu time de merda que não lembro a ultima vez que
ganhou um título (E fica se vangloriando de um hexa de quando eu nem era nascido). Pensei e não lembro a ultima vez que ouvi um “eu te amo”.
Pensei em todos os pães me arrancados da boca, em todo vermelho me arrancado do
cinto, em toda ingenuidade arrancada da minha infância. Pensei e acho que não
precisava disso, sinto pena de mim, sinto pena dos outros cinco que herdaram
suas dívidas (não financeiras, mas afetivas), sinto pena de ti que não recolheu
as glórias que poderíamos ter te dado... Os papéis foram invertidos, você era
uma grande criança, uma grande e idiota criança e pode ter certeza que essa é a
melhor forma que tenho pra expressar algum sentimento sobre você. Você me
ensinou, porém, uma grande lição: Eu não quero ser como você!
“Diz ao menos o que foi e se eu faltei em te explicar, diz
que a gente sempre foi um par.”